:: O Grande Deus F ::

Espaço para a divulgação de idéias de pessoas que se preocupam mais com o sentir do que com o ter.
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:: 24.11.09 ::

Escoriações Leves

Nasci deslumbrado
Cresci iludido
Me vi equivocado
Me fiz arrependido

Criei-me besteiras
Entornei-me em lamúrias
Sorri confuso
Enxerguei embaçado

Me apaixonei pelo vício
Tomei por companhia seus monstros
Desejos ilícitos
Julgamentos tontos

Briguei com o álcool
Fiz amor com a insônia
Saí com os noturnos
Levantei ao contrário

Gastei todo o meu tudo
Numa enorme quantidade de nada
Atropelando os fusos
Escorregando pela estrada

Tive overdose de amor
E abstinência universal
Fiquei cego pela cor
Magnífica do irracional

Já me vi e me pensei
Me medi e me pesei
Por dentro, por fora
Antes, agora

E ainda há quem queira
Fazer promessa, diferença, sentido...

Acho que olhando para trás
Estou muito grandinho para esse tipo de coisa
:: Tomaz Sá 7:15 AM [+] ::
...
:: 12.11.09 ::
A Volta

Seu jeito urbano de não querer
Se assemelha a juventude do mundo
Explodindo de calor, sem o menor objetivo e criando aleatoriamente
Isso é bom, bonito e saudável
O doloroso que se fôda!
Preço só se paga com dinheiro
E dinheiro é papel colorido!
O resto é sentimento
E rico é aquele que segura a onda...
:: Tomaz Sá 7:01 AM [+] ::
...
:: 25.9.09 ::
Nano

Não há conclusão
Mutilamos o alcance de nosso raciocínio
A inércia horripilante se torna o ópio que rege o maquinário vital

Os dias se repetem, se repetem, se repetem, se repetem...

Não há mais genialidade neste ócio
Nem conforto na idéia do trabalho

As horas são iguais, pessoas iguais, lugares iguais...

Não há mais porquê despertar
O desinteresse já atinge o inconsciente

Os sonhos são os mesmos, as loucuras as mesmas, os pesadelos os mesmos...

Borrado na imagem longínqua que compõe o cenário desimportante
Dissolvido na massa alienada que transita coadjuvante
Derretido entre fragmentos que não mais possuem uso em macro

Me sinto normal, de aspecto normal, sentimentos normais...
:: Tomaz Sá 12:17 PM [+] ::
...
:: 14.7.09 ::
Apto

Você quer mesmo

Minhas arestas, minhas fendas, minhas lacunas e meus restos?

Será que você liga

Para o resto do mundo te dizendo em coro que eu não presto?

A realidade é que o real é construído e desconstruído na velocidade de passos
A trilha é longa e a corrida desnecessária, andemos

Se é sério, se é comédia
Se é o futuro, ou a miséria
Se for distância ou temperança
Se vai ser tango ou valsa a dança

Estas novas borboletas que florescem pouco se importam
Sei do que temos
Imagino o que podemos ter

Ignoro o medo pretensioso do improvável
Perto do desenvolvimento superdotado deste nova coragem

Se tudo parece melhor
Porque não estaria?

Não é mesmo?

:: Tomaz Sá 3:12 AM [+] ::
...
:: 22.6.09 ::
Quem não gosta de um bom riff de guitarra?
Para quem não sabe do que digo, riff é uma sequência curta de notas que na maioria das vezes se repete pela música
É a chamada "levadinha" da guitarra.

Sunday Riffs

Gosto disso, gosto da música, gosto de você
Posso ficar aqui?

Bend

Olhos nos olhos, tanto faz, tudo sem peso
Sem pensar
Sem pesares

Arpeggi

Não é twist mas e daí?
Não é vodka, mas o que tem?
A gente pode rir para sempre
Ou até amanhã

Riff

Passos, chimbau aberto, caixada certeira
Gira agora, roda pra mim
Eu posso gostar disso, não posso?

Bend

Uôu! Isso foi diferente
Há algo definitivamente diferente
Desabiatuado em meu descostume
Confundo tudo no deleite deste presente

Arpeggi

Agora eles tocam AQUELA
Olha a sua volta
Porquê você não sai para brincar?
Prudência

Riff

P/ Ouvir Lendo

Dear Prudence
(The Beatles)

Dear Prudence, won't you come out to play
Dear Prudence, greet the brand new day
The sun is up, the sky is blue
It's beautiful and so are you
Dear Prudence won't you come out to play

Dear Prudence open up your eyes
Dear Prudence see the sunny skies
The wind is low the birds will sing
That you are part of everything
Dear Prudence won't you open up your eyes?

Look around round
Look around round round
Look around

Dear Prudence let me see you smile
Dear Prudence like a little child
The clouds will be a daisy chain
So let me see you smile again
Dear Prudence won't you let me see you smile?

Dear Prudence, won't you come out to play
Dear Prudence, greet the brand new day
The sun is up, the sky is blue
It's beautiful and so are you
Dear Prudence won't you come out to play
:: Tomaz Sá 10:39 AM [+] ::
...
:: 15.6.09 ::
Confundindo Medos

Me senti numa bolha de hélio
Como que flutuando sobre o que é
Nesta distância segura do real
Me reinventei, leve e transparente

Embriagado em conhecimento tácito
Deixei com que as coisas fluíssem
Ao experimental a magia se torna algo sólido
Fácil

Fiz questão de construir aquele mundo
Um fractal de realidade paralela dentro do quarto
Necessidade que tinha de olhos sem julgamento
E não é que a leveza já não podia se conter?

Um verde, opaco e denso em sua finalização
Vívido e plácido pelo interior
Pincelava todo o meu azul melancólico
E meu violeta maldito

Sem querer
Descobri que todas as cores se misturam

No escuro

P/ Ouvir Lendo

"Everyone is saying different things to me, different things to me..."
In The Waiting Line - (Zero 7)
:: Tomaz Sá 8:48 PM [+] ::
...
:: 12.6.09 ::
Iluminado

Enchi meu reino encantado de belas coisas
Riqueza de verdade, tive com as pessoas
Materiais e matérias, vêm e vão, nunca fizeram tanta diferença
Dinheiro; aquele papelzinho colorido que as pessoas gostam

O vício mais brutal que tive foi amar
No entanto, o deleite implícito, fazia qualquer internação valer a pena
Nesta profusão de arcos coloridos, espinhos, lâminas e lábios
Todos os cortes brilham orgulhosos

Hoje cumprimento fantasmas
Beijo a boca do depois
Não me importo

Meu olhar anda tão à frente
Que o tropeçável presente
Não dói no dedão

Não há mais nostalgia
Talvez uma saudade benígna
E vontade de acumular mais

Mais lembranças
Mais histórias
Mais confusões

Amores
Brigas
Amigos
Inimigos
Conflitos
Arte

Vida

Mais
Mais
Mais

Quero mais
Quero viver para sempre
Vou arriscar dizer

Que sou feliz
:: Tomaz Sá 5:44 PM [+] ::
...
:: 8.6.09 ::
Quem Poderia Dizer?

Pode ser

Que esta rotina individual seja estampada com algum tipo de aventura
Algum traço de insanidade
E cheiro forte de hormônio humano

Deve mesmo ser

Qua as colunas que ergo tão alto
Sejam ilusórias
Ou estejam apenas saciando algum impulso sem vetor
Sustentando qualquer coisa desconhecida
De maneira inerte

Devia saber

Ao lembrar que o incomum já me é tão corriqueiro
No impossível facilmente alcansável
O objetivo me parece muito simétrico
Para que possa de fato imaginá-lo

Amorfo futuro ao qual me entrego

Soberba a pobreza que se apresenta

Amargo quitute da esperança

Você, eles, nós

Nesta dança

:: Tomaz Sá 1:22 AM [+] ::
...
:: 20.5.09 ::
PLENITUDE
(ou: Ao Que Esta Intensidade Em Viver Me Levou)

Não vou deixar pistas, inventar jogos
Omitir fatos ou mesmo prezar fragmentos inconcistentes
Em nenhum momento, destes últimos, quis quaisquer destas coisas

Achei errado, que talvez paz, fosse mais forte que hierarquia
Achei errado que o único respeito verdadeiro, não viesse de qualquer posição
Não há acima, não há abaixo
Se houve

Foi bem errado das partes achar que isso iria funcionar

Eu apenas quis
Quero
Quererei

Meus braços estendidos para o desconhecido
Minha queda profunda, compromissada e infinita
Meu coração mais aberto que qualquer mandíbula
Meu corpo e alma em riste para o futuro
E nada mais que à isto possa impedir

Que sejam estes avisos do mundo
Nuances de um destino embaçado
À ele devo me entregar
E disto agora sei
Sem pesar

Seja ele o amor
A riqueza
A morte
O êxtase
O que fôr

Dos parafusos que me caíram nesta jornada
Acho que fui capaz de construir um veículo

"Falhas são vias" - Como um "eu" antigo costumava dizer
e outro velho "eu" fez questão de esquecer por algum tempo

Tijolos de nada mais me servem
Derrubei a parede há muito
Resta ver o que há adiante

Não há nada pesado no que sou
Não mais

Não há fadiga
Não há insanidade
Não há atrás

Talvez possa dizer
Do alto de tudo o que fui, conquistei e perdi
Meu espírito está aqui
Nunca foi quebrado

E se sente livre
Pela primeira vez

Tal qual uma criança com sua primeira cópia da chave de casa
Rumando certa para tal destino
:: Tomaz Sá 5:17 AM [+] ::
...
:: 9.5.09 ::
Eu, honorável idiota que sou!

Parem as engrenagens!!!!
Cheguei a profunda certeza absoluta de que sou um idiota
E isso é o que me torna mais belo como ser humano
Isso é o mais próximo da minha essência
E sabe o que é pior
Isso não se aplica só a mim
Mas a todos que romantizaram essa estória, ou podemos dizer, história? Do ser humano?
Sei do id, sei do ota, sei de ismos e istas e do que essa porra toda me serve?
Para que eu seja mais babaca? Não!
Prefiro ser idiota. Até por não ter como contradizer tal idéia.
Não estou me denegrindo, pelo contrário, estou me aceitando.
Fazendo amor com a idéia do sentimento que isso pode provocar.
Aceito senhor!
Aceito minha condição de ser humano!
Mentira!!!!
Por que ser humano é babaquice, ser idiota é que é verdadeiro.
:: Tomaz Sá 10:25 AM [+] ::
...
:: 22.4.09 ::
"Stab"

Começou pequena, angustiante, quase como raiva
Virou ódio, visceral e sem vetor, com um alvo porém
Quando notei que estava destruindo tudo o que tinha amor
Aí tive a tal dor
Quase como se a realidade a sua volta se desconstruísse
Se partindo junto à membros do teu corpo
O belo perdeu o sentido e o ar ficou mais pesado
Ali eu finalmente vislumbrara um fim
Quando este choque foi substituído por razão
Pude compreender e aceitar o final
Como se tivesse engolido vidro pus-me a tentar manter a calma
A sensação iminente de derrota
Num rompante melancólico brutal
Vindo de sentimentos aleatórios que estouravam na boca do meu estômago;
impotência, culpa, arrependimento, recusa, agonia, ódio, auto-piedade...
Dói tanto que parece a primeira vez que se sente dor
A malígna tempestade cerebral cessa.
O silêncio é embalado pelo som do coração
Acabam-se as certezas e escuta-se o oceano do desconhecido lá fora
Acho que só preciso descansar
Preciso descansar
Esta
É a dor que estou sentindo
:: Tomaz Sá 12:28 AM [+] ::
...
:: 21.4.09 ::
Sentimentalóide

Palavras cheias de mágoa me passaram pela língua
As lágrimas talvez tenham gritado mais alto
Teu rosto, teu toque, tua companhia
Por defesa foram deturpadas em hostis

Inimigas

Não a minha e a sua palavra seriam
O universo nunca quis assim
Nossa harmonia nunca foi longe pra mim
Ruídos que fomos e seremos

Enlaçados

Não quero, nunca quis, nunca quererei
Ter de volta o todo da minha alma
Este pedaço incompleto foi pouco
Mas é tudo que agora soube te dar

Esperança

Cada um com a sua
Na linha de frente
Escaldada
Vigorosa
:: Tomaz Sá 2:50 PM [+] ::
...
:: 11.4.09 ::
Estafa

Não sei bem o que queria
Sei que bom ou bem não era de fato
Não te culpo por nunca mais querer olhar na minha cara
Talvez eu quisesse isso mesmo
O gosto de um universo em ruínas que não fosse o meu
Custa caro, talvez eu possa pagar
Apenas talvez

Quanto as conclusões, rá!
É como o punk reconhecer futuro
Não há o que não houve
Não existe o que nunca foi
Como se cancela o que é imediatamente negado

Não sei se me arrependo ou fico aliviado
De certa maneira, me deixou feliz
Ensaiar dizer motivos para o monstro que fabriquei
Por mais que quem eu quero que entenda
Não aceite de maneira alguma

Acho que é isso

Certezas deixo para os de raciocínio curto
:: Tomaz Sá 7:30 AM [+] ::
...
:: 7.4.09 ::
Com Calma

Entendo o quanto é necessário
Lamber o fundo do poço
Para então se descobrir como sair de lá

Compreendo os cortes
O propósito de tais feridas
O gosto ruim do remédio

As pupilas então contraem, finalmente
A pele branca ruboriza aos raios de sol
Que me fixam vitaminas abandonadas

Eis que noto novamente
Membros há tanto esquecidos
Asas, cá estão, cá as vejo, cá as possuo

O joelho dobrado estala ao peso do corpo que se ergue
Novamente a dor
Mas esta é física
Boa
Positiva

Entendo um monte de coisas que me neguei a entender
Entendo os porquês apesar de não concordar
Mas: “A vida é uma ordem” como diria Drummond
Que seja

Que seja...

:: Tomaz Sá 3:33 PM [+] ::
...
:: 30.3.09 ::
Da inabilidade de se lidar com o novo 2

Quem é este que me sorri no espelho esta manhã?
Algum tipo de mosaico, vitral, lego...
Simulando a escuridão de um futuro oculto
Ou a sombra pervertida do que é resto?

Deixa estar,
Com o passar dos anos reflexos só se tornam mais e mais amorfos

Perdendo a trincheira, mulheres e crianças primeiro
Dizia a canção
Acho que ele estava falando de casamento
Dói tanto o sentimento de querer se apaixonar por outra pessoa que não é aquela à qual se está apaixonado.
Ai meus cotovelos

Deixa estar,
Com o passar dos anos as cicatrizes só reabrem feridas decompostas

Parece que tudo o que eu toco vira maldição
Desmedido amor que me faz soluçar, cessa tua praga!
"Pois não mais posso com estas esfinges" 1
Não mais quero te querer tanto, agora que sei
Não terei

Deixa estar,
Com o passar dos anos a força e o orgulho dão finalmente lugar a serenidade




1 - Tirado do texto "Outros Jardins, Não Mais Secretos" In: www.gotasdecaos.blogger.com.br - 07/01/2006
:: Tomaz Sá 12:14 AM [+] ::
...

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